13/05/2011

GRACIOSA: O INTERCÂMBIO DE OSTREICULTORES APORTOU POR LÁ!

Mulheres fazendo a limpeza e separação das ostras de Graciosa

Ilha da Banca, Taperoá, Galeão, Matarandiba, Tanque.
Mais de 30 pessoas dessas comunidades estiveram reunidas em Graciosa no último sábado, 30/04/2011, sob muita chuva para a ampliação do cultivo de Nildo e Valmir. Aproveitando a reunião de tantos ostreicultores, a limpeza das ostras, separação das sementes e preenchimento de novas lanternas também foi realizada num lugar de beleza inigualável: o rio Graciosa, margeado pelo manguezal.

A paisagem é inspiradora.
Ostras cultivadas em Graciosa
Uma grande e elogiada feijoada foi preparada por Lucimar, integrante do grupo Flor da Ostra – Graciosa, para alimentar e integrar todos os presentes. A hora do almoço se transformou numa grande festa.. Antes porém, o grupo já havia degustado as ostras do cultivo de Graciosa e comparado o sabor das ostras dos seus respectivos cultivos. O grupo ficou impressionado ao constatar o tamanho e formato das ostras de Graciosa e alguns produtores de Tanque, Galeão e Matarandiba levaram para mostrar em suas comunidades a fim de incentivar os integrantes dos grupos que não estavam presentes.


Sr. Almiro degustando

Os intercâmbios de trabalho entre os Ostreicultores continuam sendo uma grande força para a rede, agregando cada vez mais pessoas e beneficiando mais comunidades produtoras. É uma ótima oportunidade para quem ainda não começou o cultivo para ter a experiência com o trabalho, fazer a troca de sementes entre comunidades cultivadoras diferentes. Os ostreicultores mais antigos ganham . a força tarefa que ajuda na limpeza e organização do cultivo que está sendo visitado
Nildo, um dos anfitriões em Graciosa retrata como a solidariedade dentro da rede é exercitada nos intercâmbios: “Fiquei muito gratificado com a presença de vocês todos. Nem esperava que viessem tantas pessoas. Hoje parece que não rendeu tanto, mas foi bom para que as pessoas daqui pudessem ver a realidade de uns ajudando os outros.”

Manhã de degustação



Já para quem estava visitando a comunidade, a emoção pode ser traduzida na fala de Jefferson de Tanque:“Quero agradecer ao pessoas dessa comunidade por ter nos acolhido.”; e de Susete “Gostei muito, muito to trabalho. Achei divertido!”.

Contando com a participação de todos, a rede só têm a ganhar!



Texto e fotografias: Deise Queiroz, bolsista de Gestão Social

06/05/2011

Conselho Gestor da Rede assume o lugar de bússola e toma decisões sobre a direção da Rede

Conselho Gestor da Rede de Ostreicultores Familiares e Solidários da Bahia assume o lugar de bússola e toma decisões sobre a direção da Rede
Durante dois dias (29 de abril e 01 de maio), os Conselheiros Nildo (Graciosa), Fátima (Baiacu/Ponta Grossa), Jailton (Taperoá), Val (Galeão), Almiro (Ilha da Banca), Claudeci (Batateira), Jamille (Tanque) e José Mário (Matarandiba) se reuniram em Taperoá com o objetivo de planejar a Capacitação da Rede de Ostreicultores e discutir as pautas do grupo que versaram sobre a parceria com a UFRB, a construção participativa de uma unidade depuradora, a participação da Rede na Festa da Ostra de Graciosa, os riscos que corre a comunidade de Graciosa com o pedido de licenciamento das águas feito por um empresário e a necessidade de fortalecimento político do Conselho Gestor.
“O que nos une? E qual é a tarefa do Conselho Gestor?” foram as questões que mobilizaram os Conselheiros a refletir sobre a identidade do grupo, estimulado a pensar se querem ser Conselheiros, lideranças que exercem as funções de mobilizadores da Rede. O grupo foi, mais uma vez, estimulado a assumir o lugar de quem coordena a rede, como uma bússola que dá a direção e o sentido das ações. Uma responsabilidade que precisa ser assumida o quanto antes, para que o grupo tenha a autonomia necessária para pensar e agir em prol do coletivo. Neste sentido, os Conselheiros perceberam a oportunidade que os momentos de intercâmbio e de capacitação oferecem para todos que precisam aprender a planejar e executar ações que contemplem e mobilizem a Rede. Jailton, Conselheiro e ostreicultor de Taperoá, diz que “quando estamos nesta reunião, sempre conseguimos receber incentivos. Eu tenho interesse em trabalhar pelo cultivo, fazer pelo meu grupo e fazer pela Rede.” O grupo refletiu extensamente sobre as dificuldades que cada Conselheiro tem enfrentado para estar nesse grupo e construiu coletivamente estratégias para acolher e aproveitar as habilidades de todos de forma a potencializar os resultados. Claudeci, Conselheira de Batateira, trouxe a dificuldade de participação pela pouca disponibilidade de transporte em sua comunidade e por isto, o Conselho deliberou que as reuniões fossem realizadas durante dois dias, sempre aos sábados e domingos de cada mês.
Nildo, Conselheiro, ostreicultor e presidente de Associação de Graciosa, trouxe uma questão que impactou todo o grupo: o risco que a comunidade está submetida com o pedido de licenciamento feito por um empresário. O Conselho assumiu esta como uma pauta da rede, tema da próxima capacitação, por compreender que todos os cultivos estão ou poderão estar em risco em breve. Junto com Cessão de Águas Públicas, tema que foi trabalhado na primeira capacitação, o grupo optou por discutir novamente a regularização da rede. O formato deste trabalho deverá contemplar uma oficina de construção do documento que comporá o pedido de licenciamento. O grupo sugeriu ainda que uma mobilização institucional - da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial , a Fundação Palmares, Secretaria de Promoção da Igualdade Racial/Bahia e o Ministério da Pesca e Aquicultura - fosse feita pelo Projeto Semeie Ostras/Marsol/UFBa para que o Conselho pudesse publicizar esta questão e ganhar reforços políticos para a defesa do que está acontecendo com Graciosa.
Outra pauta tratada foi a depuradora e a necessidade do Conselho cobrar do MPA/Brasília, respostas do acordo feito para a construção participativa de uma unidade de depuração de moluscos. Na reunião passada, o Conselho Gestor escreveu uma carta para ser enviada por email e neste encontro indicou que uma pessoa do grupo fizesse o envio.
O Conselho recebeu ainda Sandra Soares e Aliene Watanabe, estudantes de Mestrado da Universidade Federal do Recôncavo, que participam do Grupo de Pesquisa do Prof. Moacyr Serafim Junior. As estudantes foram ao Conselho propor o estabelecimento de uma parceria com a Rede para realizar análise microbiológica de ostras em duas comunidades em torno de Valença, sendo que Graciosa é uma delas e a outra comunidade deverá ser indicada pela Rede. Os Conselheiros compreenderam e indicaram que fosse realizada uma reunião prévia entre os professores da UFRB (Prof. Moacyr) e da UFBa (Prof. Miguel Accioly), para identificar a segunda comunidade da pesquisa, visto que as comunidades ostreicultoras do entorno de Valença (Taperoá, Galeão e Batateira) são acompanhadas pelo Projeto Semeie Ostras/ Marsol/UFBa.
No âmbito da comercialização, duas novidades: a parceira com o SEBRAE com quem os técnicos da UFBa realizaram uma reunião no 20 de abril, e a Festa da Ostra em Graciosa, uma grande oportunidade que está sendo articulada pelos produtores de Graciosa Valmir e Nildo junto à Prefeitura de Taperoá. A previsão é de que o evento aconteça em junho deste ano, na ocasião da inauguração da nova praça da comunidade. Os produtores convidaram a Rede a construir conjuntamente este evento. Esta oportunidade foi bem recebida pelo Conselho e será apresentada na Rede durante a capacitação, que acontecerá nos dias 14 e 15 de maio de 2011.
Texto: MSc Fábia Calasans (extensionista de gestão social) Fotos: MSc Jussara Rêgo

27/04/2011

Produtores de Ostras dão aula na Universidade


Produtores no Salão Nobre do Instituto de Biologia da UFBA
No dia 25 de abril deste ano um grupo de ostreicultores, integrantes da Rede de Ostreicultores Familiares da Bahia, das comunidades de Graciosa e Taperoá esteve presente na Universidade Federal da Bahia com o objetivo de capacitar estudantes que desenvolverão trabalho de extensão nestas comunidades. O tema tratado foi a vida nas comunidades e seus principais problemas ambientais.

O Programa MarSol articulou a vinda dos produtores Robson e Luciano Vitor da comunidade de Graciosa, além de Jailton e José de Taperoá. O programa vem dialogando há algum tempo com estas e outras 11 comunidades do Baixo Sul Baiano, e atua hoje através do Projeto Semeie Ostras (financiado pelo Ministério da Pesca e Aquicultura) e da Atividade Curricular em Comunidade sobre Mapeamento Biorregional e Educação Popular Ambiental (disciplina multidisciplinar da UFBA).

José, Robson, Luciano e Jailton (só o chapéu)
 Uma das grandes questões levantadas pelos produtores foi qual a melhor forma de diálogo com as pessoas que causam danos ambientais a toda comunidade a partir do uso que faz do território. As duas comunidades tem a presença forte da atividade da pesca e mariscagem, em Taperoá há também muitos agricultores e em Graciosa muitas pessoas coletam dendê.

Alguns problemas são compartilhados entre as duas comunidades. Conflitos com as embarcações, principalmente as que transportam turistas, que derramam óleo diesel e desrespeitam pescadores e marisqueiras durante seu trabalho, além de causar danos ao mangue. As pequenas e médias indústrias de derivados do dendê também contribuem para a poluição do solo, do rio e do mangue, relações de trabalho cuja base principal é a exploração, diferente de processos tradicionais de produção chamado "rodão".

Em Graciosa há uma criação de porcos instalada em cima dos mangues, causando diversos conflitos entre a comunidade. Sobre Taperoá os produtores pontuaram a vinda de pescadores de outras comunidades, que mantém relações predatórias com o ambiente, muitas vezes por falta de conhecimento. Além da existência de um depósito de lixo de forma indevida na zona rural da cidade, próximo a uma comunidade de agricultores.

Os produtores de Graciosa ressaltaram sua identidade quilombola, a boa convivência entre a religião Evangélica e o Candomblé, ambas lideradas por mulheres. Sobre estas foi falada da sua dupla jornada de trabalho, o que impede sua participação nestes espaços. Outra questão que necessita de avanços.



Estudantes assistindo a aula no Salão Nobre do Instituto de Biologia

A aula terminou com um clima de troca pois os produtores solicitaram aos /as estudantes que manifestassem suas opniões e espectativas. Todos/as se mostraram abertos a aprender e ensinar em um processo de construção coletiva de saberes e transformações nestas comunidades, privilegiando o protagonismo das comunidades. O próximo passo é ir a campo e realizar as oficinas.

Texto: Maria Naiara (monitora)       Fotos: Miguel Accioly

18/04/2011

2º Intercâmbio da Rede de Ostreicultores da Bahia, Taperoá (10/04/2011)

Limpeza das ostras em Taperoá por produtores de Ilha da Banca, Taperoá e Galeão

No domingo (10 de abril de 2011) com muito sol, as ações de intercâmbio da Rede de Ostreicultores da Bahia tiveram continuidade, dessa vez na comunidade de Taperoá, no município de Taperoá/BA. Neste intercâmbio estiveram  presentes representantes das comunidades de Galeão e Ilha da Banca – todo mundo com grande disposição para fazer a limpeza e verificar o crescimento das ostras. 


Limpeza do Sururu


A quantidade de sururu foi tão grande que Vera levou uma quantidade significativa para Galeão e também montou um cultivo desse molusco.




Nesta atividade, compareceram os produtores D.Maria e Sr. Almiro (Ilha da Banca), Vera, Val e Eleilza (Galeão) e os produtores de Taperoá: Jailton, Tam, Ivan, Zé Filho.

Grupo de produtores de Ilha da Banca, Taperoá e Galeão

O intercâmbio é mais uma atividade que fortalece os laços da Rede!!!

Texto: Deise Queiroz, bolsista de Gestão Social. Fotografias: Natali Lordello

14/04/2011

EVE iniciado para um novo cultivo de ostras da Rede de Ostreicultores da Bahia em Graciosa (9/04/2011)

Reunião do grupo de Graciosa

Um novo cultivo de ostras da Rede de Ostreicultores da Bahia começa a ser estruturado na comunidade de Graciosa, no município de Taperoá/BA. Em uma reunião realizada no sábado (9 de abril de 2011), contando com a presença de 12 mulheres e 4 homens pescadores e marisqueiras, a equipe técnica do Marsol iniciou o Estudo de Viabilidade Econômica para dar início a um novo cultivo de ostras. Somando as informações adquiridas com outros cultivadores das regiões vizinhas, o grupo demonstrou grande interesse em organizar o cultivo por lá. Segundo Cecinha, uma das pescadoras que participam do grupo, o cultivo de ostras pode representar uma mudança em suas vidas, com uma maior organização e a possibilidade de complemento de renda.
Apresentação das mulheres de Graciosa
 
Texto: Deise Queiroz, bolsista de Gestão Social. Fotografias: Natali Lordello